É FÁCIL mostra que amar o outro nas horas boas e
convidativas é “mel na chupeta”, mas compartilhar momentos que só têm a haver
como o egoísmo do parceiro e nem um pouquinho de nós mesmos, aí é que “a porca
torce o rabo”.
É fácil amar o
outro na mesa de bar, quando o papo é leve, o riso é farto, e o chope é gelado.
É fácil amar o outro nas férias de verão, no churrasco de domingo, nas festas
agendadas no calendário. Difícil é amar quando o outro desaba. Quando não
acredita em mais nada. E entende tudo errado. E paralisa. E se vitimiza. E
perde o charme. O prazo. A identidade. A coerência. O rebolado. Difícil amar
quando o outro fica cada vez mais diferente do que habitualmente ele se mostra
ou mais parecido com alguém que não aceitamos. Difícil é permanecer ao seu lado
quando parece que todos já foram embora. Quando as cortinas se abrem e ele não
vê mais ninguém na plateia. Quando o seu pedido de ajuda, verbalizado ou não,
exige que a gente saia do nosso egoísmo, do nosso sossego, da nossa rigidez, do
nosso faz-de-conta, para caminhar humanamente ao seu encontro. Difícil é amar
quem não está se amando. Mas esse talvez seja, sim, o tempo em que o outro mais
precisa se sentir amado. Eu não acredito na existência de botões, alavancas,
recursos afins, que façam as dores mais abissais desaparecerem, nos tempos mais
devastadores, por pura mágica. Mas eu acredito na fé, na vontade essencial de
transformação, no gesto aliado à vontade, e, especialmente, no amor que
recebemos, nas temporadas difíceis, de quem não desiste da gente...
Pedro Bial
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Isso é muito importante para mim!
Obrigado
Carlos Correa
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