TRAGÉDIA DE SANTA MARIA foi um episódio lastimável que
mexeu com o sentimento e opinião de muita gente, ocasionado pela falta de
planejamento e estrutura adequada nos lugares públicos.
O engenheiro civil Luiz Henrique
Moreira de Carvalho defende a
tese de que toda obra só deve ser executada depois de elaborados e aprovados os projetos
técnicos, inclusive o de combate a situações de pânico e incêndio. Coordenador
do curso de Engenharia Civil na Unigran, Luiz Henrique recorre ao tema depois
da polêmica envolvendo as responsabilidades das partes envolvidas no incêndio
que já matou 238 pessoas na boate Kiss, em Santa Maria/RS.
“Todas as empresas são obrigadas a
fazer esse projeto, a Prefeitura só irá conceder o alvará com a aprovação do
Corpo de Bombeiros”, relata o engenheiro. Devido à tragédia gaúcha, muitas
discussões estão sendo levantadas sobre alvarás, lotação de casas noturnas e
estrutura de locais de entretenimento. No caso específico de Santa Maria, o
fato do extintor de incêndio não ter funcionado e não haver saídas de
emergência no local contribuiu para que o incêndio deixasse tantas vítimas.
De acordo com o engenheiro, muitos
desses locais são adaptados e não seguem as normas legais. “Normalmente, o que
ocorre é que as pessoas, depois de construir um galpão, um salão comercial,
resolvem adaptá-lo para uma boate noturna, um salão de festas e isso tem normas
técnicas para ser cumpridas, e normalmente quando esse espaço foi construído
ele não seguiu as normas, e não está apto para esse tipo de uso”.
Cada local tem que seguir normas e,
segundo Carvalho, depende muito da metragem quadrada do lugar, se será um
galpão, um supermercado ou uma indústria. “A partir de uma metragem é
obrigatoriamente determinado o uso de extintores. A partir de uma maior metragem
terá que usar mangueiras, hidrantes e em outros tipos de uso você vai ter que
usar sprinklers [os sensores de calor], cada tipo de uso é
específico. Em residência unifamiliar isso não é necessário”, observa o
profissional.
Caso o projeto seja aprovado e a
Prefeitura libere o alvará e a empresa não cumpra as normas, o Corpo de
Bombeiros tem o poder de lacrar e fechar o estabelecimento até que se
regularize a situação. “As leis são implícitas, mas o que tem que mudar é a
consciência dos profissionais habilitados e até mesmo dos que a usam, ou seja,
não tentar burlar a lei. O ideal é que o usuário denuncie, porque na hora em
que todos estiverem com a mesma consciência, com certeza esses tipos de
incidentes não ocorrerão mais”, acredita o engenheiro.
Redação
Douranews
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Obrigado
Carlos Correa
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