A AGENDA conta a história de Cordeiro que tem sua agenda como uma preciosa cartilha e segue religiosamente
todas as suas recomendações, sempre se dando bem. Mas aconteceu que um dia a “casa
caiu” e Cordeiro se deu mal.
Quase
sempre pensamos em levar vantagem em tudo, interessando tão somente o nosso
ponto de vista e não medindo as consequências; essa história, quase que
maquiavélica, narra uma trama tão comum nos dias de hoje, em não se medem
esforços para alcançar o tão almejado objetivo.
Carlos
Correa
A
AGENDA
Um homem
chamado Cordeiro abre a agenda em cima da sua mesa de trabalho e vê escrito:
“Comprar arma”. Ele não se lembra de ter escrito aquilo. Como tem
agenda justamente para ajudá-lo a se lembrar das coisas, compra uma arma,
mesmo não sabendo para quê.
No dia
seguinte, vê na agenda: “Marcar almoço com Rodrigues. “Mais uma vez, não se
lembra de ter escrito aquilo, nem tem qualquer razão para almoçar com o canalha
do Rodrigues”. Mas marca o almoço. Durante o qual ouve do canalha do Rodrigues
a notícia de que pretende se afastar da companhia e vender sua parte ao canalha
do Pires, que assim terá a maioria e mandará na companhia, inclusive no
Cordeiro. Cordeiro insiste para que Rodrigues venda sua parte a ele e não ao Pires,
mas Rodrigues ri na sua cara e ainda por cima não paga a sua parte no almoço. Naquela
tarde, Cordeiro vê na sua agenda: “Matar Rodrigues”. Simular assalto.” E o dia
e a hora em que deve acontecer o assassinato, sublinhados com força. E na mesma
folha: “Providenciar álibi: lancha”. “Lancha”? Cordeiro vira a página. Lá está
o plano, meticulosamente detalhado. Sair com a lancha no domingo,
assegurando-se de que todos no clube o vejam sair com a lancha, encostá-se A em
algum lugar ermo onde deixou seu carro no dia anterior, ir de carro até a casa
de Rodrigues, matá-lo, jogar a arma fora, voltar de carro para a lancha e
voltar de lancha para o clube, onde todos o veriam chegar como se nada tivesse
acontecido. É o que faz.
Na
segunda-feira, Cordeiro arregala os olhos e finge estar chocado quando chega à
firma e ouve do Pires a notícia de que houve um assalto no fim de semana e o
Rodrigues foi baleado, e está morto. Pires revela que estava desconfiado de que
Rodrigues iria vender sua parte na companhia a Cordeiro. Pretendia marcar um
almoço para discutir o assunto com o canalha do Rodrigues, mas no dia Rodrigues
dissera que tinha outro compromisso para o almoço. Na saída do escritório,
Pires diz que na última reunião dos três sócios tinha saído por engano com a
agenda do Cordeiro e pergunta se por acaso o Cordeiro não ficou com a sua
agenda. Ou então: Na segunda-feira, Cordeiro arregala os olhos e finge estar
chocado quando chega à firma e ouve do Pires a notícia de que houve um assalto
no fim de semana e o Rodrigues foi baleado, e está morto. Os dois marcam uma
reunião para tratar do que fazer com a parte do Rodrigues, mas não chegam a um
acordo e brigam. Naquele mesmo dia, Cordeiro vê escrito na sua agenda:
“Incriminar Pires. “É o que faz”. Orientado pela agenda, consegue plantar
pistas falsas e convencer a polícia de que Pires matou Rodrigues porque este
pretendia vender sua parte na firma a Cordeiro. Com Pires afastado, Cordeiro
assume o comando da firma e a faz crescer como nunca - sempre seguindo as ordens
da agenda, que não erra uma. Até que um dia a agenda lhe manda juntar todo o
dinheiro em caixa na firma, vender o que for possível para levantar mais
dinheiro e jogar tudo na bolsa. “Agora!”, ordena a agenda. Cordeiro jogou na bolsa
todo o dinheiro que tinha, o seu e o da firma. Foi na véspera da grande queda.
Perdeu tudo. Quando consultou a agenda de novo,
desesperado, sem saber o que fazer encontrou apenas frase: “Quem entende a bolsa?”.
Luis Fernando Veríssimo

Nenhum comentário :
Postar um comentário
Poste um comentário no final da mensagem e publique.
Isso é muito importante para mim!
Obrigado
Carlos Correa
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.