A MELHOR PROTEÇÃO sugere que a sociedade deve se empenhar no
combate ao crime conscientizando a população no melhor meio de enfrentar o
problema. Violência gera violência, mas, por si só, não é uma solução para os
índices alarmantes de delinquência nos nossos dias. A Melhor Proteção é
sem dúvida a proteção do Criador, que adquirimos através da Prece numa
corrente de Fé e Oração.
O bairro sofria uma onda de assaltos.
Os
marginais invadiam estabelecimentos comerciais em plena luz do dia, empunhando
armas de fogo.
Tensos e agitados, não vacilavam em atirar se
encontravam resistência. Providências estavam sendo tomadas pelas autoridades,
mas a violência campeava, semeando o medo.
Na pequena farmácia de Ronaldo, um amigo,
Jacinto, comentava:
– É preciso maior severidade nas leis.
Sou amplamente favorável à pena de morte. Se
eliminarmos esses facínoras asnearemos a sociedade.
O farmacêutico, que dedicara grande parte de
seus setenta anos ao Espiritismo e à manipulação de medicamentos, sempre
orientado pelo propósito de servir, pensava diferente:
– Não me parece que semelhante iniciativa
traria algum benefício. Países que adotaram a pena máxima não registraram
redução de crimes. O criminoso nunca cogita da possibilidade de ser punido.
Julga-se acima das leis. Por isso, é inútil torná-las mais drásticas.
– De qualquer maneira, cada marginal
eliminado será uma ameaça a menos...
– Engano seu. A Doutrina Espírita nos explica
que o criminoso não perde a agressividade com a morte física e tende a envolver
indivíduos que cultivam a mesma tendência, em processos obsessivos que ampliam
a violência.
– A esse respeito não posso dizer nada. O que
sei é que transformei minha casa numa fortaleza. Se alguém atrever-se a ameaçar
meus patrimônios será recebido a bala!
– Admito que é necessário tomar precauções.
Todavia, tanto quanto possível, deixemos as providências policiais para os
órgãos competentes. Enfrentar esses nossos irmãos com suas próprias armas em
nossos lares é descer à barbárie.
– Então, o que fazer? Permanecer de braços
cruzados, à espera que nos espoliem e matem?
– Absolutamente! Penso que a iniciativa mais
importante deve ser nossa. É preciso que a sociedade se mobilize para o auxilio
as pessoas carentes. O transbordamento da miséria na periferia derrama-se em
ondas de violência sobre a cidade. Panelas vazias são más conselheiras,
inspirando revolta e desespero em almas invigilantes, sugerindo-lhes soluções
criminosas. De certa forma estamos todos pagando pelo nosso egoísmo. Crianças
famintas, sem orientação, sem instrução, que ali vivem, são potencialmente, os
assaltantes de amanhã.
Se cada família de classe média se dispusesse
a ajudar um menor, encaminhando-o na vida, favorecendo-lhe particularmente o
acesso à educação, o problema estaria a caminho de ser resolvido.
– E enquanto isso não acontece?
– Recusemos usar a violência em defesa
própria, conscientes de que fatalmente gerará problemas para o nosso futuro.
Ela é sempre comprometedora.
– E a nossa defesa?
– Confiemos em Deus...
Como se estas últimas palavras fossem a deixa
para dramática entrada em cena de novo personagem, um jovem invadiu a farmácia
de revólver em punho, e foi logo anunciando:
– É um assalto! Quietos ou morrem!
Sentindo-se dominado por incontrolável
indignação, Jacinto pensou em atracar-se com o intruso. Ronaldo adiantou-se:
– Não pretendemos reagir, meu irmão.
Peço-lhe, em nome de Deus, que mantenha a calma.
Embora dirigindo-se ao assaltante, o velho
farmacêutico, experiente conhecedor da natureza humana, procurava conter os
impulsos do amigo.
Observando o assaltante, pouco mais que um
menino, notou que a arma tremia em suas mãos. Ele estava excessivamente nervoso
e qualquer gesto brusco, que representasse uma ameaça, o levaria a atirar.
Acima de qualquer temor, sentia imensa
piedade.
Ali estava um infeliz, que optara pela
solução aparentemente mais fácil para seus problemas de subsistência, mas que
lhe cobraria pesado tributo de sofrimento e desequilíbrios. E enquanto abria a
caixa registradora, confiava-se à oração, pedindo aos bons Espíritos que
neutralizassem eventuais acessos de agressividade, tanto do amigo quanto do
assaltante. Então aconteceu o imprevisto. O rapaz, como que possuído
por incoercível força que lhe agitava os refolhos da consciência, fez-se muito
pálido. Aturdido, balbuciou:
– Fique tranquilo, moço. Não
vou levar nenhum dinheiro. Gostaria apenas que me desse um comprimido para dor
de cabeça...
Após receber o remédio, saiu
apressado, enquanto Jacinto suspirava aliviado e dizia sorridente:
– Foi fantástico, Ronaldo!
Que mágica você usou? Nunca vi nada igual! Quer trabalhar de vigia em minha
casa?
Conclusão:
Todas as iniciativas que
visem a reduzir a criminalidade nos centro urbana terão pouca eficiência se não
houver uma ampla mobilização da sociedade em favor de pessoas marginalizadas
pelo desemprego, pela ignorância, pelo vício, pela penúria extrema.
Estes males têm crescido
inexoravelmente, favorecidos pelo egoísmo de classes sociais melhor
aquinhoadas.
Aqueles que despertaram para
essa realidade, que se preocupam com o semelhante, que dedicam suas vidas ao
esforço da fraternidade, superam o clima de medo, a sinistro se da violência,
conscientes de que com seu esforço habilitam-se à defesa mais eficiente: a
proteção de Deus.
Richard
Simonetti
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Obrigado
Carlos Correa
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